Casa Civil

Projeto Memória - Mário Bassler

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Através da publicação dos depoimentos dos funcionários mais antigos queremos destacar o papel de cada um na história da Celepar e da informática pública paranaense.
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Mário Bassler
“A Celepar é uma empresa de vanguarda”













Todos os traços que dão a tônica deste depoimento podem ser facilmente notados já no preâmbulo acima. A milimétrica escolha das palavras para tratar da empresa em que é colaborador desde dezembro de 1965, quando ainda no inicio de sua carreira inscreveu-se para o terceiro curso de programação anunciado pela Celepar, sendo selecionado posteriormente entre 300 candidatos, reflete muito da postura profissional de Mário Bassler.

Mário, que há 42 anos compõe o quadro de funcionários da empresa, emprega toda a minúcia adquirida em seus primeiros anos de programador para relatar esse contato inicial: "Neste concurso foram aprovados 30 candidatos e este grupo participou, a partir de janeiro de 1966, do curso de linguagem de programação Auto-Coder que era a linguagem utilizada para desenvolver programas para o computador Gamma30, (2) da Machines Bull do Brasill. Esse equipamento foi adquirido pela CELEPAR diretamente da França. A duração do curso foi de três meses, sempre com provas intermediárias eliminatórias e no final de março, após a prova final, que consistia em desenvolver um programa completo para uma aplicação, foram aprovados cinco candidatos. Comecei então a trabalhar registrado efetivamente a partir do dia 18 de abril de 1966.”

Bassler lembra que no setor em que iniciou suas atividades, o de Análise e Programação, trabalhavam apenas doze funcionários, sendo que a própria Celepar contava com cerca de 120 colaboradores no total.

Caminhando sobre passos bem estruturados, de bom programador que era logo passou a desempenhar as funções de analista de sistemas, chegando à coordenação da Divisão de Operação de Computadores, e retornando ao setor de análise em um período de dois anos. Em razão de uma reestruturação, Bassler passou a integrar a equipe da Divisão de Controle e Apoio ao Desenvolvimento, área responsável por criar métodos e padrões para o setor de análise e programação. Mais tarde, com a criação da área de atendimento a clientes, passou para a Divisão de Suporte ao Atendimento (DISAT), onde atua até hoje.

Assim como Mário evoluiu em sua trajetória, evoluíram também os processos usados no desempenho de suas atividades. É o que ele reconhece quando afirma que o processo de desenvolvimento de aplicações tinha atividades totalmente diferentes das executadas atualmente. "Era um processo quase artesanal. Osistema era definido pelo analista e dividido em unidades desenvolvidas uma a uma, e depois distribuídas entre os programadores para a codificação em linguagem Auto-Coder em folhas de programação. Seguia-se então a transcrição e perfuração dos cartões em setor próprio. A área de Operação de Equipamentos Periféricos era responsável pela classificação dos cartões, e só após essa etapa eles podiam ser lidos por um sistema que transformava a linguagem de programação em linguagem de máquina, processo que era realizado no setor de Operações de Computador. “Após vinham os testes e, se aprovado o programa, era devolvido ao analista para um teste geral, que validava a aplicação do novo sistema”, explica Bassler com a riqueza de detalhes que lhe é peculiar. A relação entre o cliente e a empresa ficava a cargo do gerente de desenvolvimento e do próprio analista responsável pelo atendimento da demanda.

Hoje, todo esse processo está bastante modificado. Ocorreram mudanças profundas que transformaram sensivelmente o modo como se trabalha com desenvolvimento de programas. Para a exata noção do que isso significa, Mário Bassler traça um paralelo: “Em relação ao hardware, só para se ter uma idéia, o computador Gamma30 tinha uma sala enorme para abrigá-lo. Sua memória central, porém, era de apenas 20 Kbytes. E era neste espaço que os programas eram executados e os produtos finais dos sistemas eram gerados e entregues ao cliente. Hoje as memórias dos micros passam facilmente de Gbytes. Os equipamentos periféricos, ligados diretamente ao computador, se resumiam à leitora de cartões, à unidade de fitas magnéticas e à impressora matricial. O processamento era seqüencial, ou seja, cada programa era executado isoladamente e tinha que ser concluído para que o próximo programa pudesse ser executado. Em outras palavras, não havia o conceito de multiprocessamento. Em relação ao software, só havia o programa Auto-Coder e uma rotina de classificação de arquivos e não havia compatibilidade com nenhum outro equipamento.”

Ao comentar a evolução das tecnologias Bassler lembra de algumas passagens que marcaram sua atuação. Uma delas foi a substituição do Gamma 30 pelo IBM/360 e a dificuldade de transcrição dos conteúdos incompatíveis entre os dois sistemas: A solução surgiu através da elaboração de dois programas, um desenvolvido em Auto-Coder que regravava as fitas Bull com algoritmo criado pela CELEPAR e outro, desenvolvido em Assembler, que lia estas fitas, em um equipamento cedido pela então Companhia Telefônica do Paraná (Telepar), que era utilizado para leitura de DDD, e as gravava no novo formato. “Foi um sucesso espetacular e todas as informações da Secretaria da Fazenda, de Recursos Humanos, da Educação e outros clientes que estavam gravadas em centenas de rolos de fita, foram disponibilizadas para utilização nos programas escritos em Assembler e Cobol para o equipamento IBM”, lembra.

Outro momento importante lembrado pelo veterano analista ocorreu quando a Celepar foi contratada pelo antigo Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA) para efetuar o cadastramento das propriedades rurais do Estado do Paraná e a correspondente emissão dos talões do imposto rural . Essa atividade demandou uma grande mobilização da empresa, que para cumprir os prazos estipulados efetuou a contratação de inúmeros profissionais nas funções de codificadores e perfuradores de cartões, chegando a Celepar a contar nesse período com mais de mil colaboradores nessas atividades.

Até mesmo quando fala de questões subjetivas, como os aspectos que marcaram a sua vida na Celepar, Mário não dispensa um olhar analítico ao refletir sobre o assunto de forma extremamente racional., o que é próprio de sua função. Sobre seu lado profissional, Bassler destaca sua evolução dentro da carreira de programador, escrevendo programas, inicialmente em Auto-Coder, depois em Cobol, cujo conhecimento foi obtido através de auto-estudo. Como analista de sistemas ele percorreu todas as etapas, do levantamento de dados à entrega dos produtos demandados pelos clientes, passando pela elaboração do projeto do sistema, pela definição dos programas e pela análise global dos testes. Ele também colaborou com a área de operações no projeto de organização das atividades de administradores de rede e na especificação dos processos da área de contratos de clientes. Não poderia faltar as lembranças dos momentos festivos , em especial os eventos de Páscoa e de Natal, quando surgiram as grandes amizades dentro da empresa, numa época que suas filhas ainda eram crianças.
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